E já está próximo o fim de todas as coisas; portanto sede sóbrios e vigiai em oração. (1 Pedro 4:7)

segunda-feira, 13 de abril de 2009

“UM JEJUM PRA JEJUAR NO DIA DE HOJE”

Lembro-me quando criança, as romarias da criançada em plena semana santa, de porta em porta, exclamando: “Mim dê uma irmolinha pra minha mãe jenjuar no dia de hoje”. É com muita nostalgia que relembro as xícaras de farinha, arroz, feijão, pães, bolachas, fubá de milho, peixe seco e etc. Que ganhavam percorrendo a zona rural e cidade, de porta em porta no pequeno município paraibano. Hoje em dia, parece-me que essa prática não está mais com tanta evidência como em um passado bem próximo. Em minhas andanças pelas ruas do município de Chã Preta/AL e parte da zona rural nesta semana santa, infelizmente não pude perceber esta prática do “Jejum pra jejuar no dia de hoje”. O jejum neste contexto servia muitas das vezes para complementar a feira da quarta feira santa ou até mesmo para saciar a fome de muitas famílias da parte periférica da cidade. Quando a criançada ganhava um peixe seco no sal, era motivo para uma grande comemoração com direito a um pedaço com farinha e uma boa caneca de água. O jejum na verdade representava uma prática solidária; de ajuda; do estender a mão e da prática do melhor dá do que receber. Naquela época, em meados dos anos 80 e 90 em período da semana santa, além dos espetáculos da Paixão de Cristo na pracinha da igreja, a criançada esbanjava sorriso em trazer para casa as sacolas cheias de “Jenjum pra jenjuar”. Vale a pena elucidar o jejum na perspectiva do capitulo 58 do profeta Isaias (700. a.C.). Pois em meio à crise no Reino de Judá, Isaias profetizou acerca do jejum. No capitulo acima citado, a prática do jejum consiste em: Romper com as correntes da injustiça; soltar as amarras do jugo; libertar os (as) oprimidos (as); despedaçar todo e qualquer tipo de inumanidade; repartir o pão; oferecer hospitalidade aos desamparados; aquecer com vestes os que estão com frio; vê no semelhante à imagem de nós mesmos e por fim, socorrer o (a) aflito (a). Enquanto muitos cristãos jejuam para galgarem benefícios pessoais; santidade exarcebada; espiritualidade individualista e por sua vez exclusivista; forças para “pisarem na cabeça do diabo”; a fim de galgarem patrimônio e bens materiais; riquezas; relacionamento próspero e almas salvas pra Jesus. A glória de Deus parece estar distante dos corações e templos desses cristãos jejuadores. Lembro-me de algumas práticas acerca do jejum em algumas igrejas irmãs, onde os irmãos e irmãs jejuavam semanalmente ao ponto de ficarem o dia todo sem tocarem em alimento e até mesmo sem lavarem nem sequer o rosto. Lamentavelmente, parte da população brasileira em particular, nordestina. Nascem jejuando, no sentido de não terem o que comer. Em meio a fome que a aflige, falta a prática do jejum. Compreende-se na perspectiva do profeta Isaias que o jejum não só da semana santa, mas do caminhar do povo de Deus, deveria ser o da prática da justiça em todas as dimensões humanas. Interessante notar no capitulo citado acima, que o socorro, poder, luz, reconstrução e prosperidade divinas só virão mediante a prática do jejum descrita pelo profeta. Assim, resta-nos o desafio de aprendermos a jejuar, voltando nossos olhos para a realidade que tão de perto nos rodeia. Acredita-se que o jejum de hoje deveria dá ao invés de receber. Que a igreja atual possa viver de fato, “Um jejum pra jejuar no dia de hoje”.
Adriano Trajano Pastor da Igreja Batista em Chã Preta/AL.

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